Conhecendo a Toxina Botulínica (Botox)
Muito popular por suas indicações no tratamento das rugas de expressão, a Toxina Botulínica (Botox) é um potente bloqueador neuromuscular, indicada e aprovada pela Anvisa para o tratamento de pacientes com distúrbios do movimento, como distonias (contrações involuntárias de músculos), espasticidade disfuncional (rigidez muscular excessiva comum em pessoas com paralisia cerebral, vítimas de traumas e AVC), espasmo hemifacial e hiperidrose.
Quando aplicada nos músculos comprometidos, a toxina botulínica bloqueia a liberação da substância responsável pela contração muscular, a acetilcolina. Como resultado, ocorre um relaxamento muscular eficaz e prolongado com duração entre três a seis meses, configurando-se uma alternativa eficaz para a reabilitação neurológica. Sua aplicação é rápida e segura, praticamente isenta de efeitos colaterais e pode ser feita tanto em crianças como em adultos. O paciente é submetido a uma criteriosa avaliação e então é encaminhado para o tratamento que é seguido de reabilitação fisioterapêutica.
Modo de ação da Toxina Botulínica
A toxina botulínica do tipo-A age no terminal nervoso periférico colinérgico de forma seletiva, inibindo a liberação de acetilcolina. Ela por outro lado, não ultrapassa a barreira cerebral e não inibe a liberação de acetilcolina ou de qualquer outro neurotransmissor a esse nível.
Sequência da ação da Toxina Botulínica:
1ª Etapa – Ligação: a toxina se liga ao terminal da placa motora ou membrana do nervo pré-sináptico.
2ª Etapa – Internalização: a toxina é internalizada via endocitose. Após ter sido internalizada a cadeia leve da molécula de toxina, que é a responsável pelo bloqueio da liberação de ACH, esta é liberada para o citoplasma do terminal nervoso.
3ª Etapa – Bloqueio: uma vez dentro da célula nervosa, a TBA bloqueia a liberação da ACH através da clivagem enzimática da proteína especifica, responsável pela liberação do neurotransmissor. Ao bloquear a liberação da ACH, o impulso nervoso que leva à despolarização da membrana do músculo e à conseqüente contração muscular também é bloqueado. Esse processo produz uma desnervação muscular funcional.
Aplicação Terapêutica
Não é de hoje que a Toxina Botulínica vem sendo utilizada na terapêutica humana em um número crescente de pacientes. Com o desenvolvimento de novas pesquisas e técnicas, novas indicações vêm sendo aprovadas melhorando a saúde e a qualidade de vida de milhares de pessoas.
Principais benefícios
- Permite acesso a músculos específicos
- Tem efeito sustentável e reversível
- Não apresenta ausência de efeitos sensoriais nociceptivos
Principais indicações terapêuticas (tratadas pela equipe do Instituto Bem-Estar)
Neurologia
- Distonias crânicas, cervicais de tronco e de membros
- Espasmo hemifacial
- Tremores
- Síndrome Gilles de la Tourette
- Mioclonia
- Sintomatologia associada ao tétano
- Dor
- Rigidez
Fisiatria
- Condições espásticas:
- Paralisia cerebral
- Seqüelas de acidentes vasculares cerebrais
- Traumatismos cranianos
- Doenças neurológicas que cursam com espasticidade
- Mialgias
- Fibromialgias
- Hiperidrose focal palmar, plantar e axial
Duração de efeitos
Os efeitos da injeção podem ser sentidos entre o terceiro e o décimo dia após a aplicação e duram em torno de 6 semanas a 6 meses, ocasião em que o paciente poderá ser avaliado quanto a possibilidade de se recomendar uma nova aplicação em tempo devido.
Efeitos colaterais
A Toxina botulínica é uma droga segura. Uma dose maior de Toxina pode, eventualmente, enfraquecer demais o músculo. A dose é calculada de acordo com o peso e o tamanho do músculo a ser injetado. Como a dose é limitada, não há outros efeitos colaterais perigosos ou inesperados.







